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= terezinha

11 fev

Caríssima,

Que coisa! Nem responde mais aos comentários do seu blog. Mal educada, hein? Que eu me recorde, não era assim… relaxou, foi?

Por aqui vai tudo bem, gracias por perguntar. Juro que não entendi a sua síndrome persecutória, achando que essas coisas esquisitas acontecem só com você. Lamento ser eu a lhe dizer, mas não é você o problema (não que não seja tam-bém – isso é problema seu e da tia Conchita), mas o problema é o mundo. Tá tudo de ovo virado. Aqui não está muito diferente, a não ser pelos nomes das galinhas pretas em encruzilhadas que não saem da chón. Aliás, bem bom o CD da Roberta Sá que você me mandou. Gostei muito.

Mas, entonces, aqui as variações acontecem só nos nomes (ô povinho sem imaginação os paraguayos): Miguel Angel, Julio Cesar, Juan Carlos e… Alcides. Creia-me, tem Alcides por aqui a ‘dar com o pau’. Ou a não dar. Mas ah, deixa isso pra lá.

Olha só; vou resumir pra você só os últimos paquítulos das conversas que tive com umas amigas no último final de semana no Jockey Club Paraguayo, pois claro que fomos tentar buscar por lá alguns estrangeiros, que de Miguel Ângelo já estamos ‘porraqui’, como você diz (mas, para nosso azar, topamos mesmo foi com meia dúzia de Alcides. Weeeird)…

Meu último ano foi um fiasco. Cheguei depois de você na solteirice, e vou te dizer que meus bagaços de laranja paraguayos não ficariam nada atrás dos teus, Rosa, querida prima da serra do Ridijneiro.

O primeiro me chegou, como quem vem do florista. Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista, me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha, me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha. Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração. Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não. Será que o cara não leu nenhum livro de auto-ajuda BÁSICO que diga que há que se enviar sinais confusos e dar uma de difícil? E depois disso tudo ainda me convidou para assistir com ele e com seus ‘calégas’ de 20 anos o Senhor dos Anéis – dublado! – durante um final de semana INTEIRO. Después, embora ouvisse um CD dos Secos e Molhados, me levou para almoçar vestido com uma camisa sem manga – daquelas de a-ba-dá. Como se isso não bastasse, depois de uma noite caliente foi com a mi-nha calcinha pro banheiro. Eu, tolinha, achando que ele ia dar uma de onanista… nada! Saiu de lá ves-ti-do com ela e eu quase enfartei ali mesmo.

O segundo me chegou, como quem chega do bar. Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar… não indagou o meu passado nem cheirou minha comida. Mas ameaçou vasculhar minha gaveta e me chamava de perdida. Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração. Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não. Até porque era pra lá de pachucho, doidimais da conta, e mandava mensagens telefônicas com palavras no diminutivo. E diminutivo só é permitido quando se está embriagado de amor – o que sendo beeeem optimista, só acontece de seis em seis anos. Quando não se quedou ainda completamente abilolado de paixão isso é coisa muito cafona – além de inverossímil – para caralho. [Espero que seus leitores anotem isso.] Passa uma tremenda falta de criatividade que denota que ou o lindo ‘passado garanhones’ é uma mentira – ou que as mulheres que caíram nessa sem vomitar eram completamente retardadas. Logo, não serve as well.

(daqui, ó)

Nesse período eu ainda tentei estrear no papel de amante, esperando plumas e paetês. Pra quê? Escolhi a vítima errada e o amante sentou praça na ouvidoria, como diz um amigo meu muito querido. Isso é moda só aqui no Paraguay ou por aí amante caliente também está em extinção e o que eles querem é uma namoradinha do colégio pra fazer mimimi-nhénhénhé e exibir por aí? Fracos. Tudo bem que mérito de performance ou é do casal ou não é de ninguém. Mas eu, por aí, quando faço mal feito, não saio contando pra ninguém. Acho que era Sócrates – ou Sêneca – que já dizia que grandes expectativas é que fodem com tudo.

O que nos resta fazer é esperar o terceiro chegar, como quem chega do nada. Que não traga nada e nada vá perguntar. Pouco importa como ele se chame, pode até ser Alcides, mas que me faça entender o que ele quer. Que se deite na minha cama e me chame de mulher. Que chegue sorrateiro antes que eu diga não… e se instale, feito posseiro, dentro do meu coração. Só espero que tenha algum perdido por aí; viu Alcides? E por favor, apareça sem amigos imaginários, estamos combinados?

A propósito: era mesmo o Chico B., o pale blue eyes mais lindo do mundo naquela foto que você mandou ontem? Como assim vocês estavam jantando no mesmo restaurante e você não fingiu que tropeçou pra cair no colo daquele homem? Nem parece minha parente. Tsc. Isso sim, foi decepcionante.

Te beso,
Bárbara
[mas se você abandonar essa joça, pode me chamar de Doña Branca. Com uma corda, no salão de jogos.]

So always look for the silver lining and try to find the sunny side of life. (E que é esquisito vir ‘My funny valentine’ na sequência do The best of Chet Baker sings… bom; é).

= sergeant pepper’s lonely hearts club band

5 nov

sgt_peppers

E eis que finalmente alguém prefere escrever pra mim a escrever pro Goldin, aquele que responde a tradicional babaquice cerca lourenço na revista dO Globo de domingo e dá o pseudônimo de Sônia pra todo o mundo. Vamos ao e-mail do simpático incauto:

Olá senhorita, boa noite.

Sabe, estou aqui, só, precisando desabafar um pouco, quem sabe possa dar uma palavra de conforto.

Estou justo a me torturar sobre isso, a solidão. As centenas pessoas de pessoas que me rodeiam todos os dias, apenas cenário, falta um algo mais.

É o nosso grande mal, aquele mal moderno, do séc. XXI, ou sempre foi vilão?

A cada desilusão colocamos mais uma fileira de tijolos no nosso murinho, no nosso coração, até que chega um ponto que a pessoas “comuns” não conseguem mais escalar, não tem mais acesso… Afinal, são duas barreiras à quebrar, primeiro o alvo, e aí se dá conta que ainda tem a sua, própria – e forte, ali, para atrapalhar tudo.

Quando faço o exercício de me projetar 10 anos no futuro, ainda me vejo só; apenas uma sombra da minha amargura está ao meu lado; mais ao longe, vultos, também solitários, vê-se um brilho nos seus olhos, implorando por um abraço, carinho, mas se afastam rapidamente quando um passo é dado, um barulho é emitido.

Tem dias que sinto medo, em outros é na esperança que me agarro, mas no fundo, apenas me sinto só.

Existe remédio para a solidão?

(pausa para respiração ióguiiim)

Caras. Difícil, hein? Vou ter que começar já contando uma verdad com dolor pra esse moço que pareceu muy simpático (e novinho, como 99,9% dos moços simpáticos que não confundem a Srta. Rosa com TeleSexo). Olha só, tem três saídas possíveis para a solidão: verdadeiros amigos, álcool na dose certa e cachorro (se você faz parte do movimento ‘eu sei ler’, um livro é um cachorro e tanto). Até os gatos são meio egoístas e só se dignam a fazer companhia quando estão ‘in the mood’. Vovó Conchita já me dizia que a gente nasce sozinho, vive sozinho e morre sozinho. E é verdade.

Entonces, caro, reméeeedio, reméeeedio não tem não. Podemos considerar um tratamento paliativo – uma academia, um curso de alguma coisa inteligível e interessante, um relacionamento. Mas atenção; isso também é descartável, tem prazo de validade, e o máximo que você vai conseguir é distrair a solidón por tempo suficiente para que você deixe de se sentir sozinho para logo na esquina se sentir sozinho de novo – avec ou desavec; que conste dos autos. Porque companhia, o agito do curso e uma auto-estima alta são coisas altamente passageiras. Um relacionamento que serve muito bem hoje pode não servir sempre. E até alguns amigos verdadeiros são passageiros, dependendo do que vocês mutuamente possam se infrigir no decorrer desta vida de meu Deus.

Que vão Vinícius y Tom pra Quixeramobim das Couves, mas ou é possível ser feliz sozinho ou não é possível ser feliz.

Pelo seu e-mail, queridito, você acha que caso encontrasse e conseguisse estabelecer um relacionamento com uma pessoa legal, bacana e interessante, você não estaria na solidão. Meia verdade. Podia não se sentir só; mas sozinho estaria. Espera colocar meia dúzia de sórdidos interesses em jogo, discutir por alguma coisa que é irrelevante só pra uma das partes que você vai ver só cuméquiabandatoca. Mas confesso que é a minha maneira preferida de despistar a solidão, apaixonando-me. Pena que ainda não inventaram um jeito dessa encrenca durar tempo suficiente pra que não tenhamos o trabalho de sofrer-recuperar-ecomeçartudodenovo.

Mas ossó, queda-te tranqüilo aí que não vou te mandar ler o livro do Nuno Cobra nem fazer meditação do Lair Ribeiro para amar-se MOITO. Eu posso muito bem me apaixonar por mim e ainda assim sentir falta de cafuné. Que esse bando de gente que diz que se basta vá pro inferno e sofra MOITO MAIS. A gente pode ser feliz sozinho sim, mas é totalmente aceitável ainda assim continuar sentindo falta de alguma coisa. Do ‘encontro’; e, well well, isso nos faz cair no outro problema. Taí um trechinho ilustrativo do prefácio de um livro do Calvino pra você:

“As cartas estão jogadas. E tal como o lance de dados de Mallarmé, elas jamais abolirão o acaso. Disso parece falar Italo Calvino em O castelo dos destinos cruzados: da aleatoriedade do mundo, da multiplicidade dos destinos, das probabilidades dos encontros, do jogo combinatório dos significados e das existências.” Tão tá, né? Entendeu? Puta sorte, filho. E estar distraído. Como conseguir essa conjunção propícia yo não sei que se soubesse… ah, se eu soubesse.

Diós não joga dados com o universo. É purrinha mesmo. Ou a gente entra na brincadeira e perde uma pra ganhar outra, ou estamos todos lascados, levando amargura pra tudo que é lado e sendo infelizes (e isso sim dá muito trabalho). Melhor esperar a hora certa de arriscar ‘lona’. Ou talvez montar uma ‘banda’ de corações solitários e sair por aí se divertindo como pode, como dá, como o momento se apresenta.

Aproveite o dia, faça toda a merda possível cujas possíveis conseqüências compensem a aventura.

Uma bitoca, boa sorte e veja se escolhe um whisky bacana. Logan es lo que más me gusta.

Ah, esqueci, esqueci! Quanto à qualidade das gentes, bom, isso é mais ou menos como jogar na MegaSena. Eu sei que não vou ganhar, as possibilidades dos números certos e de uma pessoa realmente bacana são igualmente ínfimas, mas jogo praticamente toda semana. Vai que a gente acerta…

= um chinelo dourado no fim do arco-íris e línguas frenéticas

29 jul

Ontem à noite uma amiga queridíssima do mundo virtual me interpelou no msn, intrigada que estava com o fato de sua noche de sexo ‘da melhor qualidade’ [acompanhada do que ela disse ter sido o melhor ‘boquete éeeeeeeeever’] não ter culminado com meia dúzia de jurados gritando ‘bravo’ e levantando plaquinhas com ‘dez, nota dez’.

Parte-se do princípio que quando foi igualmente bom para ambos há continuidade, certo? Portanto, creonças, seria suficiente ela esperar um pouco mais do que míseras 24h para ver se o bruto a procuraria para um repeteco confirmando a expectativa ou não, certo?

Errado.

Pra início de conversación, nunca é a mesma coisa para os dois lados. Pode ser ‘menos diferente’ a veces, pero igual, igual NUNCA é. Las personas são diferentes, las vidas, las referências (emocionais, físicas, geográficas Y anatômicas), portanto, elementar, ninguém sai de um beijo e muito menos de uma noite de sexo selvagem e-xa-ta-men-te com as mesmíssimas impressões sobre absolutamente tudo. Éeeeeeeeeeeeeeeeeeever.

Eu sempre desconfiei dessa relatividade, pero só tive certeza do ocorrido há pouco tempo atrás. Sabe quando você acha que pode ser bueno e nos primeiros 15 minutos de juego já desconfia-se, quadradissimamente, enganada? Pois; me aconteceu. Claro que bate uma espécie de ressaquinha por não ter dito ‘alto lá’ antes de ter desabotoado a calça, ou whatever; mas é aquilo, você já está em campo, habemus camisinhas! e WO não faz parte do seu repertório. Na verdade, em mi caso, não chegou a bater nenhum Ecat! Urght! Blerghd!, tava mais pra um exército em posição ‘descansar’ quando os recrutas deveriam estar energicamente marchando e cantando La Marseillaise [yo puedo hablar así, pero a alcova tem sotaque francês, definitivamente].

Seria previsível que a outra parte achasse o mesmo, seguindo o básico-raciocínio-padrão-tosco-da-humanidade e que nem por isso faz algum sentido; se foi mais ou menos pra mim, foi pra criatura también. Tchananan! No. O lado de lá queria mais e mais e mais e eu só queria dormir e que o dia seguinte chegasse logo; já devidamente transmutada em uma pizza e com a noite que podia ter sido e não foi em algum lugar do meu passado onde eu não a encontrasse éeeeeeeeeeever de nuevo.

Nessas coisas de encontros amourosos, diria à minha amiga se pudesse falar com ela agora nesse instantico: não há o bom e o ruim. Há o que combina e o que não combina.

Vejamos: Línguas frenéticas (nem tô falando de ‘partes pudendas’, ô tarado(a), é beijo mesmo), por exemplo, se dão bem com línguas frenéticas; e digo mais, devem achar até divertido ver quem passa mais duro e mais rápido pela língua do outro. Há aqueles que acreditam estar num concurso de profundidade e tentam a todo o custo enfiar a língua na sua goela; e tenho certeza – do alto dos pouco mais de 30 anos que tenho nessa vida – que tem gente que acha isso muito bão. Uma moçoila com a dita-cuja liliputiana (aí sim, dita-cuja é mais pra baixo), ficaria felicíssima com o modelo shitake de 4,5 cm em estado ‘bruto’. Já o lápis de cera adoraria uma moça com vaginismo, mas esse tipo de moça, pobrecita, acho que não gostaria de moço nenhum. O grandão precisa de uma grandona ou de uma masoquista em último grau pra ser e fazer feliz e o aficcionado por chuva dourada vai ser ultra-super-contento com uma sádica que tenha incontinência urinária – ou em um banheiro de boteco carioca e por aí vai…

O negócio é bom quando é bom pra todo o mundo; sin duda. Mas bom igual, pra todo o mundo, do mesmo jeito, no tem jeito de ser.

Portanto, divirta-se procurando, get lost – sem balões! sem balões! -, smell the flowers. Uma hora encaixa. [E eu sigo procurando por aqueles que gostam mucho de capôs de carro en noches enluaradas.]

E sim, até você encontrar e ser notificada(o) irá se perguntar inutilmente, desenvolver raciocínios toscos, queimar mais neurônios que o necessário, talvez até se torturar com noites mal dormidas e mesmo assim não chegará a nenhuma conclusão real.

Gosto é pessoal, intransferível, e muitas, mas muitas vezes mesmo, absolutamente sem sentido pras outras pessoas, fora a própria, a que está ‘gostando’. Outro dia mesmo comentei isso com um amigo de minha irmã mais nova [que diga-se de passagem é muito inteligente pro mundo Vogue dela e foi, ora pochoclo, justificadamente roubado pra mim]: “Ora, Srta. Rosa, se a busca fosse fácil, que graça teria quando encontrássemos?”; e não é que ele tem razão?

Os cartazes que ilustram esse post são todos da Keep Calm Gallery, de Lucas Lepola e Hayley Thwaites, que produzem essas foufuras, de tanto que amam pôsteres. Get lost por , vale à pena.

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