Caríssima,
Que coisa! Nem responde mais aos comentários do seu blog. Mal educada, hein? Que eu me recorde, não era assim… relaxou, foi?
Por aqui vai tudo bem, gracias por perguntar. Juro que não entendi a sua síndrome persecutória, achando que essas coisas esquisitas acontecem só com você. Lamento ser eu a lhe dizer, mas não é você o problema (não que não seja tam-bém – isso é problema seu e da tia Conchita), mas o problema é o mundo. Tá tudo de ovo virado. Aqui não está muito diferente, a não ser pelos nomes das galinhas pretas em encruzilhadas que não saem da chón. Aliás, bem bom o CD da Roberta Sá que você me mandou. Gostei muito.
Mas, entonces, aqui as variações acontecem só nos nomes (ô povinho sem imaginação os paraguayos): Miguel Angel, Julio Cesar, Juan Carlos e… Alcides. Creia-me, tem Alcides por aqui a ‘dar com o pau’. Ou a não dar. Mas ah, deixa isso pra lá.
Olha só; vou resumir pra você só os últimos paquítulos das conversas que tive com umas amigas no último final de semana no Jockey Club Paraguayo, pois claro que fomos tentar buscar por lá alguns estrangeiros, que de Miguel Ângelo já estamos ‘porraqui’, como você diz (mas, para nosso azar, topamos mesmo foi com meia dúzia de Alcides. Weeeird)…
Meu último ano foi um fiasco. Cheguei depois de você na solteirice, e vou te dizer que meus bagaços de laranja paraguayos não ficariam nada atrás dos teus, Rosa, querida prima da serra do Ridijneiro.
O primeiro me chegou, como quem vem do florista. Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista, me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha, me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha. Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração. Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não. Será que o cara não leu nenhum livro de auto-ajuda BÁSICO que diga que há que se enviar sinais confusos e dar uma de difícil? E depois disso tudo ainda me convidou para assistir com ele e com seus ‘calégas’ de 20 anos o Senhor dos Anéis – dublado! – durante um final de semana INTEIRO. Después, embora ouvisse um CD dos Secos e Molhados, me levou para almoçar vestido com uma camisa sem manga – daquelas de a-ba-dá. Como se isso não bastasse, depois de uma noite caliente foi com a mi-nha calcinha pro banheiro. Eu, tolinha, achando que ele ia dar uma de onanista… nada! Saiu de lá ves-ti-do com ela e eu quase enfartei ali mesmo.
O segundo me chegou, como quem chega do bar. Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar… não indagou o meu passado nem cheirou minha comida. Mas ameaçou vasculhar minha gaveta e me chamava de perdida. Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração. Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não. Até porque era pra lá de pachucho, doidimais da conta, e mandava mensagens telefônicas com palavras no diminutivo. E diminutivo só é permitido quando se está embriagado de amor – o que sendo beeeem optimista, só acontece de seis em seis anos. Quando não se quedou ainda completamente abilolado de paixão isso é coisa muito cafona – além de inverossímil – para caralho. [Espero que seus leitores anotem isso.] Passa uma tremenda falta de criatividade que denota que ou o lindo ‘passado garanhones’ é uma mentira – ou que as mulheres que caíram nessa sem vomitar eram completamente retardadas. Logo, não serve as well.
(daqui, ó)
Nesse período eu ainda tentei estrear no papel de amante, esperando plumas e paetês. Pra quê? Escolhi a vítima errada e o amante sentou praça na ouvidoria, como diz um amigo meu muito querido. Isso é moda só aqui no Paraguay ou por aí amante caliente também está em extinção e o que eles querem é uma namoradinha do colégio pra fazer mimimi-nhénhénhé e exibir por aí? Fracos. Tudo bem que mérito de performance ou é do casal ou não é de ninguém. Mas eu, por aí, quando faço mal feito, não saio contando pra ninguém. Acho que era Sócrates – ou Sêneca – que já dizia que grandes expectativas é que fodem com tudo.
O que nos resta fazer é esperar o terceiro chegar, como quem chega do nada. Que não traga nada e nada vá perguntar. Pouco importa como ele se chame, pode até ser Alcides, mas que me faça entender o que ele quer. Que se deite na minha cama e me chame de mulher. Que chegue sorrateiro antes que eu diga não… e se instale, feito posseiro, dentro do meu coração. Só espero que tenha algum perdido por aí; viu Alcides? E por favor, apareça sem amigos imaginários, estamos combinados?
A propósito: era mesmo o Chico B., o pale blue eyes mais lindo do mundo naquela foto que você mandou ontem? Como assim vocês estavam jantando no mesmo restaurante e você não fingiu que tropeçou pra cair no colo daquele homem? Nem parece minha parente. Tsc. Isso sim, foi decepcionante.
Te beso,
Bárbara
[mas se você abandonar essa joça, pode me chamar de Doña Branca. Com uma corda, no salão de jogos.]
So always look for the silver lining and try to find the sunny side of life. (E que é esquisito vir ‘My funny valentine’ na sequência do The best of Chet Baker sings… bom; é).





