= Senhorita Rosa responde

13 jun

Eis que eu recebo uma versão masculina do meu questionário (vide post ‘procura-se nerd que não curta abacaxi’)… publico ipsi literis, e respondo. Porque aqui a gente mata o pau e come a cobra (ou seria o contrário?).

———- x ———–

[A resposta poderia ser publicada em nome do Sr. Azul. Ocorreu-me, porém, que tal título – ainda que possa remeter à nobreza ou a alguma família real europeia – provavelmente será associado a um certo fármaco produzido pela Pfizer e utilizado para suprir a falta de vigor decorrente da idade.

Não, ainda não estou na idade de precisar tomar Viagra para comparecer e satisfazer as moçoilas que vierem a frequentar meu leito. Depois de uma certa idade, aprendemos a valorizar o momento e qualidade é muito melhor que quantidade. Assim, este que vos escreve não tem nada de arcaico ou rebuscamento antiquado. Trata-se de um quarentão – longe de ser tio da Sukita -, solteiro, profissional bem sucedido e que formaria um belo par com a Srta. Rosa. Mas ela não me quer, apesar de achar charmoso o sotaque dela. Entonces, eu, Sr. Cosmopolita, formulei o meu próprio questionário.

Procura-se Recheio e conteúdo sem potro ao pé

1.       Em baile funk, você é cachorra, tchutchuca ou popozuda? Se respondeu e escolheu uma das alternativas anteriores a coisa não começou bem…

Nunca fui. Mas tenho curiosidade de ir com um grupo de amigos a um baile de funk, de charm, enfim, de viver uma experiência antropológica destas. Naturalmente bêbada, e, naturalmente as well, partindo da premissa que não é coisa pra se repetir nesta encarnação.

2.       Você já fez aula de pole dance? Pompoarismo? Dança do ventre?

Não.

3.       O último livro que você leu tinha mais figuras do que palavras?

Não.

4.       Caras ou Vida Simples? Nova ou Lola?

Vida Simples. De mulherzinha eu gosto mais da Marie Claire, preferencialmente na versão original, em francês (que eu só entendo metade, e, mesmo assim, é muito melhor que a nacional). – Mas, ó, eu vejo Caras no cabeleireiro, no dentista. É isso ou a (não)Veja. Fazer o quê…

5.       Incenso é algo sem o qual você não consegue viver?

Não, mas até que gosto de acender um de vez em quando… desde que não tenha cheiro de defumador ou subentenda outros rituais bizarros.

6.       Emoticons fazem parte de seu vocabulário de comunicação por SMS, email ou MSN?

Às vezes escapa, tipo pum. Mas eu sinto vergonha de mim quando isso acontece. Nos dois casos.

7.       Vou ter que viajar a trabalho para Fortaleza durante a semana toda. A funcionária nova da minha equipe vai comigo. Algum problema?

Depende. Muito. Se ela for periguete e estiver dando em cima de você; tem. Pra você, que fique claro. Fora isso…

8.       Você se lembra do aparelho celular do seu ex? Tinha senha?

Eu não me lembro nem do ex, quanto mais do aparelho! E invasão de privacidade pra mim é homicídio totalmente justificável. Sou contra.

9.       Uma noite de verão. Cortinas abertas e luzes acesas. Estamos vendo um filme quando o clima esquenta entre nós. Você levanta para fechar a cortina ou deixa rolar sem se preocupar que talvez alguém esteja a nos observar do outro prédio?

Se não for a uma distância suficiente pro voyeur dar uma de penetra, ia achar é ótimo. Quem nunca curtiu um certo exibicionismozinho? Mas, pensando bem, acho que levantava sem a camisa e fechava só a metade da cortina…

10.   Gotan Project é o título de um novo filme do Batman?

Não, mas gosto dos dois. Do grupo Gotan Project e de filmes do Batman. Só não gosto daquele sujeito que fez o último Batman porque era barraqueiro e batia na mulher. O Coringa é que foi uma dó ter batido as botas. Mas sou fã de cinema europeu, japonês etc. Bom, do BOM cinema. Cabeça demais, tipo filme que gasta meia hora com gueixa abanando leque na frente de um pecegueiro, curto não.

  11.   Você abre mão de um delicioso pastel de feira por medo de ter de gordura trans?

Eu? Huahauahau… Mah nunca.

12.   Você sabe a diferença de Shiva e Ganesh?

Acho que um é um elefante e ou outro é azul. Veja bem, acho.

13.   Qual a viagem dos seus sonhos? Índia ou Europa Oriental?

Olha, vou ser sincera. Tenho muuuita vontade de conhecer a Índia, mas nenhuma vontade de me alimentar ou de me hospedar por lá. Logo, isso só seria possível caso existisse teletransporte, tipo, pra passar o dia. A próxima  viagem dos meus sonhos é a Turquia, to-di-nha.

14.   Você curte o esquema “10 países em 7 dias” ou prefere algo mais calmo?

7 em 10 não dá. Nem pra pobre que tá querendo economizar passagem. 3 países em 12, dá pra considerar. Mas o ideal é passar o mês inteiro no mesmo lugar, tipo a Toscana. Tá pagando?

15.   Uma garrafa de champagne e uma camiseta branca. Isto lhe dá alguma ideia (e nem precisa ser no motel)?

É pra descrever? Motel é muito clichê. Tem muito lugar mais interessante pra combinar as duas coisas. Minhas ideias vão de capô de carro a uma pousadinha rústica em Búzios.

16.   Se eu te convidar para ver Caravaggio, Giacometti e Modigliani, você vai achar que se trata da inauguração de uma nova loja de bolsas de um italiano fashion na Oscar Freire/Farme de Amoedo? Ou de algum novo perfume exclusivo?

Ih, cara, mó coincidência! Fui ver Caravaggio em BH semana passada. Modigliani eu também adoro, tenho um encantamento por aquelas caras compridas, os tons e a história dramática da vida dele. Esse do meio não sei bem quem é não, mas imagino que seja bom também.

17.   Tudo bem que as mulheres adoram se aventurar na 25 de março/Saara, mas sua viagem ideal de compras é para o Paraguai?

Eu ODEIO viagem de compras, mas me divirto no Saara. Acho que se você não é vendedora de muamba e  faz uma viagem inteira pra compras  seria caso de internação, né? Da última vez que fui aos EUA, e isso tem tempo, reservei 2 dias de 15 pra isso, pero no más. É o meu limite. Prefiro passear…

18.   Manhã de sábado e com sol. Um café da manhã na padaria e uma caminhada no parque fazem sua cabeça?

Ooooooooooooooooooooooooooooooun. Faz. Mas se for na livraria com a caminhada no parque eu te peço em casamento.

19.   Qual o time do seu coração? Se a resposta for “não gosto de futebol” ou “Brasil”, a candidata não estará eliminada. Agora se a resposta for um certo time…

CASACA, CASACA, CASACA! Vascoooooooooooo! ]

Sem mais

12 jun

PROCURA-SE UM NERD QUE NÃO CURTA ABACAXI

26 mai

Tendo em vista surpresinhas desagradáveis recentes (vide historia do Abacaxi), decidi criar um questionário que será apresentado sutilmente aos próximos candidatos à Senhor Rosa. Aceito sugestões para aperfeiçoar o mesmo.

Você já vestiu abadá? Mais de uma vez?!?!?!?!?!?!?

Tem todos os dentes?

Você fala véi, tá ligado, leke, laRgatixa ou pobRema?

Você acha que Edith Piaf é uma coisa?

Você posta foto suado ou de sunga branca no Facebook?

Você depila as partes?

Você emite sons quando goza? Quanto? Como? Descreva.

Você pede pra morder mamilo e fazer fio terra na primeira noite?

Quem é Lorena McKennit?

Qual foi o último livro que você leu? Faça um resumo.

Você ronca? Quão alto? Quantos vizinhos são atingidos?

Você liga mais de uma vez por dia? O diálogo é lógico ou é “Oi, tudo bem? Só liguei pra saber como você estava.”

Acha normal mais de 3 SMS num período de 24h?

Você acha um abacaxi sexy?

Você consegue fazer sexo em qualquer posição ou só de ladinho?

Você usa muito diminutivo?

Já encontrou um ET?

Você divide conta de restaurante?

Seu quarto é decorado com papel de parede de cavalinhos?

Que termos você costuma usar para apelidar os órgãos sexuais durante o intercurso?

Você narra o ato sexual?!?!

Você já pediu para a sua parceira urinar em você?

Quando você recebe sexo oral tenta matar sua parceira de asfixia?

Você tem um vibrador? Ele tem nome?!

Qual é a sua fantasia sexual?

Você acha sexy homem de calcinha?

Quanto você calça?

Você chama sua mãe de “mamãe”?

Você recebe mesada?

Quando você ouve YMCA você sabe fazer as letrinhas?

Você gosta de Madonna, ABBA e Lady Gaga?

Você troca sexo por algum reality show na TV?

Você mede mais que o dobro do Frodo Baggins?

Qual é a resposta para a vida, o universo e tudo mais?

Você gruda?

Faça um setlist para ser ouvido durante o sexo, especificando os  intérpretes:

_____________________________________________________________

_____________________________________________________________

_____________________________________________________________

SUGESTÕES RECEBIDAS PARA INCREMENTAR A SABATINA (após a publicação do post):

Você ficaria chateado ao ser acordado com um boquete?

Você prefere sexo ao vivo com mulher ou acha maneiro tocar punheta pra webcam e mandar a fotinhO?

Qual é a sentença correta:  a) você e eu temos tudo a ver / b) você e eu temos tudo haver?

Você faz “barulho de porco” (rrrronc-rrrronc) no pescoço da mulher achando que é sexy?

Você acredita em duendes?

Quantas cuecas você tem? De que cor? Põe pra lavar toda vez que usa?

(Se você também estiver revoltada com alguma coisa, cara amiga, não hesite. Envie sua sugestão para ser publicada aqui. Depois é só recomendar o post pro cara… vamos te salvar das próximas roubadas! Chegaaaaaaaaaaa!)

Esta catarse foi originada de uma conversa com amigas no Skype às 3h da manhã, uma bêbada, uma sob efeito de psicotrópicos e a outra louca de nascença sobre as coisas mais estranhas com as que já tiveram de lidar – e das histórias que já ouviram. Os nomes foram omitidos pela dignidade de nós mesmas, já que esses caras retardados mereciam era que as bizarrices fossem amplamente divulgadas para evitar que outras incautas caíssem no mesmo problema. [Mas, ainda assim, hay que ser ter ética, sin perder la ternura jamás.]

Ps: O gabarito, OBVIAMENTE, contém respostas “sim”,  “não”, “42” e outras mais complexas. E, sim, hay pegadinhas. Muitas.

Música pra acompanhar: 

Florminenses e vices-de-novo

24 mai

Caras, eu não sou muito entendida de futebol. Sou Vasco porque vovô Stein era Vasco. E ai de quem não concordar comigo que vovô Stein era O Cara. Logo, o Vasco era O Time. Vovô Stein já foi lá pro céu dos velhinhos fofinhos, mas eu continuo Vasco aqui, firme e forte. Às vezes nem tão firme nem tão forte, mas jamais próxima de virar a casaca.

Cada um tem seu amor à camisa provocado por alguma razão subjetiva, improvável, previsível – e até ridícula, como seria o caso de Fernando Pessoa, por exemplo, escolhendo seu time de futebol. [Se bem que acho que ele seria América, porque, vamos combinar – Lamartine Babo caprichou foi demais naquele hino, que é poesia pura – e, sim, bate todos os outros com larga vantagem – até o do Vasco (ainda que me arrepie menos).]

E, entre os que se podem chamar Times (com T maiúsculo) do Rio, creiam-me, tenho simpatia pelo Botafogo e pelos Fluminense. De verdade. Sinto-os como times cariocas, como o meu. Claro que não torço por eles quando o meu time está na disputa, mas fora isso, why not? As brincadeiras são leves. São sacanagens com ginga, como deve ser. Até eu hoje, no final do jogo, ri da minha brilhante conclusão sobre a derrota do Vasco pro Coríntians; de que a vida é assim, tipo o Diego Souza – que perdeu aquele gol feito e que poderia ter nos colocado na semi-final da Libertadores.

Mas porque eu escrevo isso? Ah, porque ao invés de estar numa paz celestial, tem um monte de flamenguista, que foi eliminado da Libertadores láaa atrás pelo Eh, Meleca  e que estão de férias há um mês, comemorando que o time dos outros perdeu. Já que estão aqui fazendo um puta de um barulho, vamos xingar, pô! Ao menos eu tô com razão nesse caso.

Eu já sou contra namorar flamenguista – salvo se houver uma razão MUITO BOA pra justificar uma escolha TÃO RUIM. E cada vez sou mais contra, apesar de saber que sempre há exceções e que não é possível que todos eles, INVARIAVELMENTE, sejam tão burros e tão mau-caráter.

Explico:

Como é possível admirar alguém que não tem pau e goza com o pau dos outros?

Tá resolvido, flamenguista é pra usar na hora do “preciso de um amigo viado!”, desses que te ajudam naquele momento da vida em que você vira um verme e se rebaixa a esse nível – como, por exemplo, quando você precisa enxergar todos os defeitos da atual do seu ex para que você se sinta melhor que ela.

No mais, tricolores e vascaínos, hoje foi bonito. Tentamos, não deu. Mas tentamos. Estávamos lá, no gramado – e não violando a privacidade dos ex no Facebook para nos sentirmos melhorzinhas.

Ô dó.  Como tem gente que se rebaixa, né? Falando nisso… no caso do flamengo… é coisa que ainda pode acontecer . Não que a gente vá torcer pra isso.

Ou não…

E uma música ruim e recalcadinha de presente pros framenguista; a cara deles, ói:

O inferno são os outros

17 mai

Primeiro culpei Santo Antônio. Depois achei que a culpa era minha. Em seguida, passei a achar que a culpa era desse blog – vai que era ele que me trazia azar, né? Daí tentei me livrar dessa paraguaia inocente.  Agora, que já me psicotropizei, cheguei à brilhante conclusão que o problema não sou eu. SÃO OS OUTROS. Ao menos os OUTROS que EU encontro.

[Vou contar pra vocês, que é cada uma que aparece que, não fosse eu pra testemunhar minha própria história, iam dizer que era tudo obra de ficção. Ok, às vezes até é. Mas muito menos vezes do que eu gostaria que fosse.]

Você tá lá, né, fazendo necas-de-pitibiriba no Facebook. Aí, óbvio, você inventa de fazer alguma coisa que não é uma boa idéia. No meu caso, adicionei um carinha que conheci nos meus vinte e pouquinhos anos (há 12 anos, pra ser exata) com péssimas intenções: queria que ele me ajudasse a arrumar um emprego novo. Ok? Ok.

Viajei pra Europa, dias e dias se passaram e, enquanto eu tomava coragem para puxar o assunto “mercado”, calhou de trocamos umas palavras no bate-papo da geringonça do Zuckerberg [agora, finalmente, aprendi a bloquear as pessoas certas naquela merda]. Eu, como disse, com as piores intenções, fui chamar o cara pra bater um papo. Nessa, ele me conta que está separado, blá blá blá e eu, idiotamente, já o tirei da coluna “onde se ganha o pão não se come a carne” – embora eu quisesse, inicialmente, o pão. Lembrava do moço articulado e charmoso, que é que eu estava esperando? Tentar faz parte. Bora, né?

[A vida me ensinou algumas lições que eu cismo em esquecer, como, por exemplo: fazer planos significa, invariavelmente, se foder no final.]

Marcação vai, agenda vem… tudo desencontrado. E eis que o moço, num arroubo do que só podia ser curiosidade e tédio, topou vir jantar comigo em Quixeramobim do Sul (pois é, me mudei, tava cansada das couves). Vocês não acham que, sendo o caso da coluna da carne, eu é que ia me despencar pra algum lugar, né? Mah nem pensar…! Sou menina e estamos conversados.

Aí, domingão véspera de um feriado (aliás, como tem feriado esse ano, hein, cariños?) o moço chega. Numa Mercedes (creiam-me: não gostei dessa parte. Preferia um carrinho low-profile ajeitado a qualquer coisa do tipo “uhu, cheguei!”). Sou esquisita. Sou. Mas, no caso, já era um sinal. Abstraí a opulência e fui, né? Lá dentro… uma trilha sonora “pra pegação” (juro que nunca tinha visto uma coletânea tão ultra-mega-eclética-do-tipo-que-alguma-canção-eu-acerto-o-gosto-de-qualquer-mulher-que-sentar-no-meu-banquinho-de-couro). E o moço, que me pareceu continuar esperto, charmoso, articulado, com todos os dentes, mãos bonitas e com papo. Com uns quilos a mais, mas eu até gostei dessa parte. Um sotaquezinho que eu já tinha esquecido que era fofo… e pronto. Só não me imaginei de véu e grinalda porque já casei duas vezes e esta não é, definitivamente, a minha especialidade. Mas, digamos, achei promissor. Hum. Bem promissor. Eu tava otimista.

[Tá vendo, Zander, otimismo jamé de la vi que funfa.]

O jantar foi ótimo, o papo foi ótimo, nenhuma bizarrice detectada no primeiro contato… bora continuar, né? Feriado, coisa e tal… e meus enta ali virando a esquina em um novembro não muito distante – eu, apavorada, naturalmente – e, depois de perder muito tempo nessa vida é que não ia ser besta de ficar seguindo regra de ducentésimo encontro. Quando deu vontade fui. E fui com vontade. E foi bom. E foi divertido. Claro que, como toda primeira vez, teve o desencontro natural das primeiras vezes. Ou alguém é capaz de afirmar que sexo não melhora com a prática? (Tá, depois de um tempo piora, mas não tô falando de tanto tempo assim). Daí que… quando foi bom, você pensa o quê? Quero mais, né? Dã.

Dias e dias de conversa via Whatsapp. Odeio quem não usa telefone, já comecei a implicar. Mas tá, né, “Ô rabugenta! Dá um desconto!” Dizia eu pra mim… o cara é esperto, charmoso, articulado, com todos os dentes, mãos bonitas e tem papo. Releva. Quase cheguei a olhar sorrindo pro telefone (início daquela fase brega que você entra quando começa a encontrar com alguém promissor). Nesse momento crucial do negócio… ele me chama pra tomar vinho na casa dele. Hum.  Hum de novo. Bom sinal, né? Lá fui eu pra capital, aproveitando que tinha coisas a resolver além da minha vontade imbecil de encontrar com ele. E aí, e aí… é que começou a degringolar o negócio de vez.

Chego eu na residência do sujeito, que, digamos, não é uma cobertura duplex na Vieira Souto nem um conjugado na Prado Júnior. Mas… com um ótimo vinho e TODAS AS LUZES acesas. Incandescentes. Holofotescas. Quase teatrais. Clima “muita luz pras nove horas da noite com mulher e vinho em casa”. Mas, tipo assim, MUITA. Me senti num filme de suspense, só faltou mesmo entrar aquele inspetor francês narigudo pra me fazer perguntas.

Não bastasse isso, o cara era espiritualizado. Ok, isso eu sabia antes. Tava até achando bom, e, já que eu sou ‘espiritualizada de menos’; equilibrava. Porque sou dessas que acredita duvidando e não sabe direito no quê, sacumé? Mas… que meio termo o quê, fios! O cara era, digamos, espiritualizadérrimo-issimo-ultra. Tinha santo e mais santo e mais santo. Agora junta esse tanto de vela com muito, mas muito santo e muita, mas muita luz?

Clima nenhum, né? Fiquei intimidada até pra conversar com tanto gemido celta numa espécie de encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém. De lobo mau o cara virou a vovozinha. Quem, em sã consciência, está psicologicamente preparado para ser recebido assim, depois de uma noite caliente? Com o moço sentado no mesmo sofá que eu, porém no lado OPOSTO  e assistindo ao MESMO DVD de música celta por TRÊS HORAS SEGUIDAS À LUZ DE VELAS DE SETE DIAS E HOLOFOTES? Deu meia-noite e eu falei: – melhor eu ir. O sujeito: – ok, te levo. Oi?

CLARO que eu fui de táxi. Tomar no cu que depois de três horas e dois beijos eu ainda ia pra casa ouvindo música celta. Mah nem pensar.

Uma semana depois… mensagem vai, mensagem vem… e eu na capital de novo. Provavelmente foi o Zuckerberg que me denunciou pra ele, que resolveu me chamar pra sair mais uma vez. E, não, não era booty-call. Era saída combinada pro dia seguinte, blá blá blá, tudo nos conformes. Tudo isso, oficórse, depois de dizer que aquele dia (o da música celta com vela de 7 dias) ele estava muito cansado e estressado. Eu, rabugenta-ranzinza-amarga-tenho-que-dar-uma-chance-e-abrir-meu-coraçãozinho, relevei, neam? Afinal, sou eu que não estou me dando chance! Sou eu que me fecho pra todo o mundo que se aproxima! Sou eu que assusto os homens porque sou independente, neam? (É, eu ouço isso o tempo todo. E ainda escuto. Putaquepariu.).

Convencida pelas probabilidades, estudei o caso. Pensei, pensei…e regra de três no sujeito. Bora de novo pra tirar a dúvida de qual era o Jekyll e qual era o Hyde. Porque eu tenho certeza que EU não queria passar um futuro com finais de semana seguidos, em  São Tomé das Letras,  ouvindo música celta no repeat. Só não tinha certeza, ainda, de pra onde apontava a companhia DELE.

E… tchanananan!  Após a troca de mensagens pra combinar horário no maldito do Whatsapp, e de eu dizer que podia ser final da tarde, porque antes disso eu tinha uns abacaxis pra descascar… o cara me manda o seguinte texto:

“A QUE HORAS EXATAMENTE A SRTA. ESTARÁ DISPONÍVEL PARA CHUPAR O MEU ABACAXI DESCASCADO?”

Nunca, né? Mórreu ali.

QUE METÁFORA TOSCA! Ou, como diria a Sandra Anemberg, que deselegante! Gente, francamente, imagina… você já tá lá, sem-fé. Aparece esse  ABACAXI? “Corra, Rosa, corra!”  em neon piscante na tela do telefone .

Erotismo tem que ser bem feito, construído, baby steps. Sujeito pra acender mulher inteligente tem que ter noção. De tudo. Vê se pode? E isso tudo depois daquele monte de santo, daquele monte de luz… e de música celta. Não é um conjunto aceitável, vamos combinar.

Bipolar? Imagina…

Eu devia ter é confiado na minha intuição. Aquela Mercedes não prometia mesmo muita coisa…

(Aliás, me contou que morava de alguel. E eu, que aprendi o que pude com vovô Stein – sei que é muito mais importante você ter o seu próprio teto do que um carro bacanudo pra mostrar pros outros.)

trilha pra acompanhar: 

Bolinhas_Tailandesas.doc

8 set

Tá, eu sei que abandonei esse blog faz um tempão. Até perdi, em parte, meu sotaque paraguadjo de tanta falta de prática.

É que sou uma pessoa que enjoa. É só alguna coisa estar indo bem e dando certo… pluft! vou lá e enjôo. Preciso de coisa nova, de banho com sal grosso toda hora e de recomeços. Sou do contra de mim misma, às vezes. E não sei lidar com a pressão. De leitor, então, não sei mesmo…

Mas outro día me aconteceu coisa tón engraçada e tón instrutiva que me deu uma vontade danada de grande de dividir; com vocês.

Bolinhas tailandesas. É, isso mesmo, bo-li-nhas-tai-lan-de-sas.

Vamos começar do princípio…

Cena 1.

Dia destes, tô eu conversando com um colega de trabalho em outra baia quando viro pro lado e encontro, na tela do computador da frente, um documento aberto, com o seguinte texto em evidência: “quero meter a cara nos teus peitos”. A pessoa – o dono do computador em questão – usa óculos e, pelo tamanho das letras na tela, deve ser cego pra caralho.  Após quase ter um ataque de riso diante do quadro de uma pessoa séria olhando pra esse trecho do texto e continuando a escrever o que supus ser um conto erótico, volto eu, branca, pra minha baia. Minhas colegas de trabalho vêm perguntar o que aconteceu e eu narro a história. As três brancas (o cara é daqueles com cara de certinho, casado e coisa e tal).

Cena 2.

Tempos depois, tô eu e ‘a que – ainda – senta do meu lado direito’ salvando-se sabe-se lá o quê pra esse mesmo colega de trabalho nosso, no pen drive dele, quando nos deparamos com um arquivo de word com o nome: BolinhasTailandesas.doc. Pô, o cara tava dando pinta de ser autor de conto erótico, e ninguém, em sã consciência, cria um arquivo num pen drive, sem senha, com um título desses. Ainda mais se pede pra algum outro ser manipular este pen drive do demo,  não pode esperar que não aconteça nada.

Óbvio que a gente copiou o arquivo pra ler depois.

Acontece, creonças, que era coisa tão cabeluda o tal documento, que a gente parou de ler no final do primeiro parágrafo; momento em que a criatura, do sexo masculino, começa a descrever a sensação das bolinhas tailandesas. Já bastava a gente saber que o primeiro contato dele com él brinquedón tinha sido num sécsi xóp em Sirinhaém das Couves em mil novecentos e bolinhas.

Gente, pelo amor de deus: caso vocês tenham arquivos como este nos seus pen drives de trabalho – deletem imediatamente, né? Ou mudem o nome pra, sei lá, Copia_Seguranca_Novo_Testamento. Ninguém normal vai copiar um arquivo destes.

E é ÓBVIO que, depois dessa, a gente olha pra ele e já imagina a Sandy. E as bolinhas tailandesas.

Vai que é tua, Lúcio – mas volta ráaaaaaaaaapido! (Rumo ao Hexamedine)

25 jun

Primeiro foi aquele jogo de totó ridículo com Tae, Te, King e Xing Ling Ling. Ou as brancas de neve ficaram com pena dos caras terem las orillas decepadas ou realmente é uma sorte danada ainda estarmos na África do Sul. Kaká (cafona isso, com k… pft) erra todas. Dunga xinga – isso é especialmente interessante em HDTV, embora a gente fique sabendo do gol depois da galera que está assistindo o Galfão no buteco da esquina da sua casa). O Robinho jogou essa? Não vi. Mas quem não estava preso no nó do trânsito do Ridijaneiro e viu o início do jogo disse que ele estava lá no começo sim, mas em seguida foi abduzido, que nem um amigo de @caiobarbosa. O jogo acaba com o autor do primeiro gol, Maicon (Jáquisson deve ser o segundo nome dele), fazendo um merchandising fofo da Avon que mamazita dele vende. Ah, um tal de Elano, de quem eu nunca tinha escutado falar, fez um gol e o Dunga imediatamente tirou ele.

Daí trombamos com os elefantões da Costa do Marfim. Elano faz um gol e Dunga tira ele. Luís Fabiano (quem?) faz um gol e sorri de orelha a orelha. Luís Fabiano faz outro gol e depois disso baixa o espírito do Romário nele, que praticamente não se mexerá mais até as oitavas de final. Apesar disso, sai como o melhor jogador da partida (baseado em quê, fifofa?). O juiz francês é horroroso, distribui um monte de cartões nas horas erradas, viu a ajeitada de ombro no nosso Romário 2010 e ainda ri. Bizonho. O Kaká bateu, errou quase todas e ainda conseguiu a façanha de levar cartão apanhando do Oboé, Evoé, Avohai – ou algo parecido com isso (mas com sotaque francês). Ah, o pobre do Elano de quem eu nunca tinha ouvido falar, além de ser punido pelo Dunga sempre que faz um gol, ainda teve a sorte de antes de rolar a substituição tomar uma patada tão feia na canela que a gente achou que tinha quebrado a dita cuja.

Hora dos irmãozinhos portugueses. A esta altura ninguém ainda esperava almoçar bacalhoada. O Brasil inteiro parou e ficou torcendo por um empate. Ainda bem que o loiro esquisito tatuado que atende pela alcunha de Coentrão (é quase tão estapafúrdio quanto Maicon e Liedson) mirou na câmera e não no gol, porque se ele não tivesse um chute horroroso, nóis tava fú. Ninguém com colhões de se mexer, só o Lúcio – e o Dunga (mas ele tinha que ficar fora de campo e, além do mais estava ocupado xingando coisas que eu não entendia porque tive que assistir no trabalho e sem slow motion em HDTV com o PVC só dava pra captar o tradicional “poooooXXa”). Luís Fabiano não fez nada, o Elano não pôde jogar por conta da canelada e, portanto, não houve nenhum gol para que ele pudesse ser substituído pelo Dunga logo depois. Cristiano Ronaldo não perdeu uma chance de apalpar as bundinhas Patropi. Ah, o técnico português – que conquistou o cuore da secretária da presidência que também tem bigodes, ó pá – tirou o loiro esquisito que mirou na câmera e pôs outro espantosamente loiro esquisito igual (mas com nome diferente, que eu não lembro). O Júlio César tomou uma pezada nas costas e quis competir com o Cristiano Ronaldo e praticamente fez sua toilete para todos os muitos telespectadores internacionais da pelada em questã. Cristiano Ronaldo conferiu o poder do gel do topete testando a permanência da bola no cucuruto antes de devolver a bola pro jogo pela lateral. O presidente da empresa levou uma vuvuzela – e usou – em uma sala de meio metro quadrado, com 30 pessoas e salgadinhos horrorosos e frios. Ah, ele também dizia que o Lúcio não tinha nada que se mexer e se meter a atacante. Em nenhuma das duas circunstâncias eu pude mandar ele calar a boca.

Daí que después da nossa meio mais ou menos primeira parte da Copa do Mundo 2010 voltei eu. Pra dizer que o Lúcio pode ir, mas que volte, rápido. Sem ele nossa defesa fica uó. Não fosse ele, a gente tava disputando, com sorte, o segundo lugar do grupo com a Costa do Marfim. Ele, pra mim, hoje mostrou porque é o capitão da nossa seleção passarinho. Se ninguém sabe o que é pra fazer, caralhoemHTDV, eu mostro. Isso mesmo, Lúcio. Fosse metade da seleção como você eu gritava com fé: rumo ao Hexamedine!

Agora é torcer pra gente não patinar contra o Chile. E pensar em uma estratégia pra assistir o próximo jogo das 11h – se houver oficórse – no buteco da esquina do trampo, em outro andar do prédio, mas longe o suficiente das vuvuzeladas e das observações horríveis de alguém que não sabe que, não fosse o Lúcio, a gente tava numa situação muuuito pior. Porque ninguém falou muito dele nos outros jogos – mas eu tenho certeza que foi muito mais importante que o Luís Fabiano, por exemplo. E o nosso técnico, que só quer colocar os reservas pra estrear nas oitavas de final, hein? Ainda bem que ao menos líder ele sabe escolher direito – sorte dele que não saiu ao povo brasileiro.

Se alguém quiser baixar o wallpaper do Coentrão, herói do peladão Portugal x Brasil, tem aqui, ó pá!

Duas perguntas que não querem calar:
1) Porquê o Dunga não testou os reservas antes das oitavas? 2) Se praticamente toda a nossa seleção joga há tempos na Zorópia, ela é brasileira? (Algo me diz que menos, muito menos brasileira do que quando eu era pirralha e o Falcão tinha cabelo, e não esse corte de ‘careca’ espantosamente feio. Feio, naquela época, era o Sócrates. E quem diria que essa referência ainda ia piorar MUITO…)